No atual cenário político mundial tem-se observado a crescente demanda por  participação e representatividade em processos políticos decisórios. Desta maneira, a luta por direitos minoritários e pela priorização de temas antes esquecidos, assim como a possibilidade de trazer novas questões para a agenda governamental faz do advocacy, conhecido também como o lobby do bem, uma prática de suma importância neste processo de aumento da participação popular e da responsabilidade social.  

Por advocacy, compreende-se o processo de reivindicação e argumentação para influenciar tanto a formulação e a implementação de políticas públicas, como a possibilidade de colocar em pauta determinado tema na agenda governamental, de acordo com sua necessidade de priorização. Para tanto, é utilizado o poder e o status do ator para melhor comunicação e maior perspectiva de conquista dos respectivos objetivos.

Assim como advocacy, lobby, termo frequentemente usado com conotação pejorativa, tem como objetivo a defesa de interesses junto a membros do poder público que tomam decisões. Entretanto, as ações do lobby, exercidas predominantemente por empresas privadas, envolveriam a defesa de interesses particularistas, enquanto o advocacy teria como finalidade máxima o bem público e a promoção de grandes causas sociais. Em suma, existem dois elementos fundamentais que diferenciam advocacy e lobby: a estratégia utilizada para influenciar os tomadores de decisões, tendo em vista que as campanhas de advocacy privilegiam a influência de forma indireta, por intermédio da mobilização da opinião pública; e a natureza da política pública a ser defendida por cada uma das ferramentas.

Nos Estados Unidos, assim como em outros países do centro político econômico mundial, por questões culturais existentes desde o início de sua formação como Estado, a importância do advocacy e do exercício da cidadania em sua máxima é essencial. Isto é: a consolidação de uma cultura política democrática e participativa é de suma relevância para o desenvolvimento social e, portanto, deve ser algo a ser ensinado desde as escolas primárias.

Em contraponto, no Brasil, o senso de responsabilidade social e de participação política não é algo cultural e moral, sendo assim, extremamente complexo a implementação do advocacy como ferramenta democrática de transformação da sociedade. Apesar do alto índice de crescimento do Terceiro Setor e das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, bem como a recente flexibilização para participação de diferentes atores na formulação e implementação de políticas públicas, a população brasileira ainda não se conscientizou da importância e do impacto do advocacy exercido honesta e seriamente.

Concluindo, o impacto do advocacy na agenda governamental é evidente e fundamental para a boa aplicação de políticas públicas que representem a sociedade e sejam de fato transformadoras. Ademais, é um método de controle social e de cobrança sobre a agenda governamental, em busca de colocar como prioridades temas antes desconhecidos, ou inclusive temas considerados secundários pelos tomadores de decisões.