Nas eleições de 2018, foi eleito para presidente Jair Bolsonaro, do PSL, e para governador, João Dória, do PSDB. Com orientações político-ideológicas alinhadas, marcadas pela defesa do liberalismo econômico, conservadorismo social e aversão à Esquerda, Dória e Bolsonaro tem visões e propostas coesas para as diversas áreas englobadas pela esfera pública. Inclusive, o psdbista apoiou a candidatura do militar no segundo turno, se destoando do seu partido, que adotou uma postura neutra.

Jair Bolsonaro, em uma reunião com os governadores eleitos de muitos dos estados, expressou sua inclinação a uma maior descentralização política, de modo a possibilitar que as unidades federativas tenham maior independência para o investimento em Saúde, Educação, Segurança Pública, Infraestrutura e Transportes. Dória é favorável ao pacto federativo, uma vez que acredita que com ele, os governadores poderão agir com maior agilidade e capilaridade para atender às necessidades de cada município. Ainda assim, ele admite que deste modo, as verbas federais que já estão previstas no orçamento podem ser aglutinadas.

A mudança no pacto federativo pode fazer com que a gestão estadual de São Paulo tenha maior rapidez e flexibilidade na realização de políticas, como afirma o próprio governador eleito, de modo que se torna possível um acesso mais fácil aos setores citados. Isso se aplica tanto ao âmbito estadual quanto ao municipal, já que Dória promete maior capilarização às cidades. A partir disso, surge uma oportunidade de contato mais próximo e expressivo nestas áreas.

Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda, já comunicou, antes das eleições, a disposição do governo de Bolsonaro a realizar um repasse maior de verbas aos estados, para conseguir apoio, trazendo uma “governabilidade orgânica” ao presidente. Entretanto, a descentralização política implica que a atuação do governo de São Paulo aumentará, diferente das verbas federais destinadas ao estado, que já foram estabelecidas no planejamento do ano seguinte. Deste modo, o estado precisará fazer uma reforma fiscal, reduzindo seus gastos. Assim, pode diminuir a disposição do governo de São Paulo em investir em assuntos supra essenciais, mesmo tendo uma situação orçamentária favorável.