Setor Público

Inovação e Serviço Público: como potencializar o valor público com menor custo

Por 12 de setembro de 2019 Sem comentários

Ocorre, de maneira cada vez mais intensa, uma maior informatização e globalização. Dessa maneira, surgem novas demandas que necessitam de novas ferramentas para serem solucionadas. Sendo assim, surge a necessidade, dentro do setor público, de gerar valor público. Além disso, a população passa a utilizar como critério para a avaliação de políticas públicas tanto os serviços oferecidos pelo Segundo Setor como referências internacionais. Nesse contexto, surgem os laboratórios de inovação, que passam a ser uma ferramenta para auxiliar no desafio de inovar no setor público. A inovação é realizada, então, primeiro dentro do próprio governo, sendo, posteriormente, levada para a população, fazendo com que ocorra um maior aprendizado de boas práticas e economia de recursos. No entanto, o setor público continua, em muitos aspectos, engessado e burocratizado, dificultando a inovação.

Visando abordar esses dois aspectos, foi analisado o caso de uma parceria internacional entre o laboratório MindLab, situado na Dinamarca, e o governo brasileiro, através do Ministério de Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG). A colaboração tinha como objetivo o incentivo à inovação no setor público. O projeto é considerado de grande importância para a gestão pública brasileira por, principalmente, dois aspectos: a parceria com um governo que é reconhecido como referência por realizar políticas públicas de sucesso, trazendo experiência e conhecimento para dentro do governo brasileiro e agregar legitimidade à pauta de inovação dentro da agenda pública.

GNova: laboratório de inovação

O projeto obteve como resultado final a criação do GNova, laboratório brasileiro que pertence à Escola Nacional de Administração Pública (Enap). Um dos projetos realizados pelo GNova foi a promoção da cidadania financeira com o Banco Central, mais especificamente, o Departamento de Educação Financeira. O projeto teve como macrotema a parcela da população que não se planeja financeiramente. Essa é uma demanda de principalmente cidadãos de baixa renda, uma vez que, a falta de planejamento financeiro é um dos agravantes da desigualdade social presente no país. Primeiramente, foi realizada uma pesquisa de campo que foi desdobrada em 3 soluções aplicáveis: a divulgação de publicidades de conscientização contra o empréstimo de nome, um cartão de poupança-investimento e o desafio BC de Cidadania Financeira, constituído em arranjos inovadores de poupança coletiva e reserva de emergência.

Segundo o próprio edital fornecido pelo laboratório, os principais aprendizados resultantes da parceria internacional são de natureza inspiracional, não necessitando de aumento de verbas para sua implementação, mas que são eficientes em aumentar o valor público.

Um dos primeiros aprendizados trazidos da experiência é a necessidade de adaptação ao contexto local, sendo capaz de compreender suas demandas e particularidades locais. Além disso, existe a necessidade de ser concreto, definindo conceitos e tomando decisões. Sendo assim, é necessário traçar um objetivo claro para os projetos, que possa ser efetivamente avaliado ao que considera sua aplicabilidade e impacto.

Além disso, é necessário estabelecer uma comunicação efetiva entre as pessoas envolvidas, que seja constante e honesta. Ademais, em aspectos mais abstratos, é necessário manter o questionamento e inconformismo e a percepção pela necessidade de mudança. Por fim, construir, de maneira coletiva, a perseverança e coragem para a mudança. Um dos exemplos para tal aprendizado é a publicação de manuais e disseminação de conhecimento pelo GNova, incentivando outros servidores públicos a gerar mudança e valor público.