Setor Público

Igualdade racial em cargos da área pública

Por 9 de outubro de 2019 Sem comentários

Apesar da grande diversidade cultural, étnica e social existente no Brasil, essa não se mostra presente em diversos setores de nossa sociedade. O acesso à qualidade de ensino e futuramente, a presença em cargos de alto poder e liderança é restrito a uma minoria privilegiada. A população negra que hoje representa grande parte dos brasileiros enfrenta, durante toda sua vida, uma grande desigualdade racial presente na realidade de um dos países com maior disparidade social do mundo.

Referente aos cargos de poder na área pública, este baixo índice de indivíduos negros também está presente. De acordo com os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a respeito das eleições de 2016, a quantidade de candidatos prefeitos autodeclarados negros era significativamente inferior à quantidade dos candidatos brancos, sendo 29,11% e 70,29%, respectivamente. Além disso, nas eleições de 2018 não houve um avanço na presença de cargos eleitos e na Câmara dos Deputados, em 2019, negros (pretos e pardos) contabilizaram apenas 24,4% dos políticos.

A questão destacada acima a respeito da representatividade negra na política já vem sendo estudada a algum tempo por inúmeros profissionais, como professores e cientistas políticos. Osmar Teixeira Gaspar, graduado pela Universidade de São Paulo (USP), realizou uma pesquisa em 2017 sobre o tema e identificou algumas dificuldades encontradas pelos indivíduos negros no momento de suas candidaturas. Nesses casos, costuma-se encontrar uma deficiência educacional por, geralmente, possuírem escolaridade incompleta, e também pouca estrutura financeira; devido, principalmente, a essa desigualdade racial enraizada no país.

Ademais, esse baixo índice de políticos negros no primeiro setor da economia do país acaba por normalizar a situação, como se a ausência dessa população fosse natural naquele ambiente. Fato que ocorre em diversos âmbitos do cotidiano do brasileiro. Naturaliza-se a presença de indivíduos brancos e a ausência de negros em esferas de alto poder, no consumo de produtos de luxo, e nas melhores escolas de ensino.

Ao refletir mais profundamente a respeito da candidatura deste grupo de candidatos, o recurso para investimento acaba por ser realmente inferior se comparado aos candidatos brancos pelo fato da não existência de um apoio formal por parte de seus partidos e pela baixa aderência de políticos e personalidades que lutem por suas causas primordiais. Vale ressaltar também, que a fala de equilíbrio entre as partes existente no país ainda é reflexo do histórico da abolição da escravatura que ocorreu sem a adesão de políticas de inclusão eficazes dos negros no País. Por demais, ainda não existe no Brasil uma cota obrigatória de candidatura de políticos negros por partido; dificultando ainda mais a inserção da população negra nessa esfera.

Apesar dessa realidade, o País já foi representado por políticos negros de excelência e alto profissionalismo. Dentre eles pode-se destacar Joaquim Barbosa, o qual foi o primeiro presidente negro do Supremo Tribunal Federal (STF), dentre outros cargos; e Marielle Franco, a qual, além de ter sido vereadora do Rio de Janeiro, defendeu em sua história uma maior representatividade das mulheres no cenário político e atualmente, deixou com seu legado uma reflexão a respeito da representatividade das mulheres e negros não somente na política, mas na sociedade brasileira como um todo.

Por fim, é possível perceber que a questão de igualdade racial em cargos da área pública vai muito além desse setor. Ainda existe no Brasil um racismo que está enraizado devido a história de escravidão no País, somado a políticas ineficazes de inserção deste grupo. Assim, o ideal é que a desigualdade seja amenizada e finalmente, sanada em todo território, tanto no âmbito político, como cultural, educacional, comercial, entre outros. Para que assim, mais políticos negros possam ser vistos em atividade e com os mesmos direitos e oportunidades que os brancos.